quinta-feira, 8 de novembro de 2007

E2k

Enquanto aqui no Brasil os mais antenados obrigam os filhos a estudarem mandarim, o senhor de bigode aí ao lado, que admiro muito [o senhor, não o bigode], o jornalista Thomas Friedman, aconselha.
'Mamãe, papai, avisem às suas crianças:
se eles procuram uma carreira profissional boa, estável e crescente - consultores green, designers green, construtores green, todos terão enorme demanda. E se eles puderem falar um pouco de Hindi - aí vai ser melhor ainda'.
Olha, o que Thomas Friedman fala, eu escuto.
E muito.
Ele é, digamos, o conservador que eu mais detesto amar no mundo.
Pois ontem, no NYT, Friedman escreveu um artigo intitulado
A Aurora do E2K na Índia.
Lembra do Y2K?
O tal bug do milênio que ia danificar milhões e milhões de computadores quando seus relogiozinhos internos chegassem à 01-01-2000, simplesmente porque ninguém tinha sido construído para atingir a data.
Pois é, Thomas Friedman lembra que, naquela época longíííínqua, o único país que tinha softwares para ajustar todo os computadores, e a preço razoável, que é o que todo mundo quer, era a Índia.
E que foi esta enorme operação o que fez deslanchar a indústria de outsorcing por lá.
Friedman, inclusive, acha que Y2K devia ser feriado nacional na Índia.
Tá vendo porque eu adoro ler esse cara ?
Ele já sacou tudo.
Diz que agora existe uma oportunidade ainda maior que o Y2K à espera da Índia.
E2k.
Nome que ele inventou para batizar o fenômeno.
E2K virá a ser toda energia de programação e monitoração que milhares de companhias global terão que adotar ainda no início deste século para se tornarem 'carbon neutral' ou mais eficientes em energia do que são hoje.
E quem se dará bem nessa tarefa ?
A Índia, claro.
Friedman diz que começou a pensar no assunto quando ouviu um gatekeeper dos PCs, Michael Dell, declarar que a Dell vai se tornar neutra em carbono em suas operações até o fim de 2008.
Aí caiu a ficha !
Com as legislações caminhando cada vez mais para as políticas de trading na emissão de gás carbônico, cada vez mais e mais companhias vão fazer o mesmo que a Dell.
Friedman é taxativo [e eu sou seguidora].
Vai ser a próxima maior tranformação do negócio global.
E a Índia ?
Onde entra a Índia ?
Entra na hora em que vão ser necessárias toneladas e toneladas de software, programação e administração interna pra quantificar cada pegada de carbono deixada por uma empresa.
E depois, pra monitorar as reduções ?
Acompanhá-las regularmente ?
Advinha quem tem tamanho e condição de fazer isso baratinho ?
Re re.
É por isso que eu gosto do futuro.
Claro que já tem gente na indústria de outsorcing da Índia se posicionando para o mercado E2K.
O raciocínio é mais o menos o seguinte.
O que fez o Y2k ?
Algumas companhias simplesmente reprogramaram minimamente seus computadores, mas a maioria pensou.
Bom, se eu vou ter que gastar dinheiro reprogramando essas joças, melhor - e mais barato - aproveitar o trabalho e fazer logo grandes investimentos de reprogramação no mesmo pacote, pra me tornar mais eficiente e gastar menos.
E lá veio o boom da TI - a Tecnologia da Informação.
Mais por menos.
Praticamente um mantra.
Pois agora vem aí a TE - a Tecnologia da Energia.
Já que se tornar neutro em carbono é inevitável os caras vão aproveitar para repensar tudo e lucrar mais.
Gastar menos energia.
Do modo mais barato.
Menos custos.
Mais lucro no bolso.
Tô com o Friedman.
Hello India.
Hello E2k.

Um comentário:

jorge cordeiro disse...

bela sacada do Friedman, Guta. E quem mais se beneficia com essa corrida toda somos nós todos - e o planeta.

Ah, aquela ferramenta sobre a qual te falei é Local Cooling - ver aqui:

http://www.treehugger.com/files/2006/12/local_cooling_t.php

beijaõ!

(vou indicar este post seu lá no escriba, blz? bjs!)