terça-feira, 6 de novembro de 2007

Estou Pasma - I

O Trendwatching continua insistindo que eu compre o relatório 2008 Trend Report, já blogado aqui.
Para convencer a mim e, diga-se de passagem, a todos inclusos na newsletter, fazem de tudo.
Continuam tentando me convencer de que 700 dólares é uma pechincha.
Mandam lista de quem já está usando.
Quase uma guerrilha mental.
Daí que agora mandaram um aperitivo.
Acesso a cinco tendências reportadas.
A primeira me deixou numa situação que daria uma foto histriônica.
Boca aberta e cabelo em pé.
A Geração Z.
Vou descrevê-la tal e qual é apresentada.
Não vou inventar nada e vocês tirem as conclusões de vocês.
Geração Z é a seguinte.
Assim como existiu a geração baby boomer, depois veio a Geração X.
E daí veio a Geração Y.
Pois agora, se antenem, porque já está aí, consumindo loucamente, a Geração Z.
Geracão Z, pasmem, são os consumidores nascidos depois de primeiro de abril de 2006.
Não, não digitei errado.
Não, não é piada com primeiro de abril.
Segundo eles, não é pra rir.
Segundo o Trendwatching, a Geração Z é o mais promissor e mais ignorado target de audiência em sociedades de consumo desenvolvidas.
Socorro.
Onde fica a saída ?
Mesmo as agências mais dedicadas ao mercado infantil, dizem eles, preferem focar na, juro que é expressão deles, já cansada faixa etária de 3 a 5 anos, também conhecida como Geração Y+.
Meus sais.
E, pra quem não sabe, há até uma disputa louca entre os, vamos chamá-los, Senhores do Universo, que afirmam que apesar da Geração Y+ ser cinco vezes mais determinante na hora das compras dos produtos de um lar, a Geração Z vem aí para bombar.
Na expressão deles, é a fantasia mais selvagem dos mercados esperando para acontecer.
Agora deu medo.
Muito medo.
Que gente é essa ?
Alguém me diz que tudo isso é uma grande piada, por favor.
Eles afirmam, por exemplo, que nunca na história da humanidade, olha não sei se estou sendo repetitiva, mas lendo essas coisas eu não sei se eu rio ou se eu choro, nunca senhores, nunquinha, houve uma geração tão ansiosa para assimilar marcas através da exposição aos benefícios específicos delas.
Pausa.
Pausa para respirar.
Seguindo em frente, citam um estudo suíço, onde, quando, como, quem, esquece, o estudo é suíço e pronto, está de bom tamanho, é tudo que você precisa saber, ora bolas, mas, enfim, voltando ao estudo su-í-ço, 77% dos recém-nascidos expostos a jingles infantis, melodias e mensagens de voz ainda dentro da barriga da mãe, não só reconhecem as marcas como ainda desenvolvem preferências por elas até à puberdade, e, quem sabe até, à fase adulta.
Socooorrooo !
Eu nem sei porque continuei lendo esse troço depois disso.
Masoquismo.
Vou perguntar isso à analista.
E, aposto que vocês já estão boquiabertos, só não se sabe ainda se esse lance da fase adulta vai rolar - deles comprarem as marcas a que foram expostos ainda fetos - porque o estudo, puxa vida, é recente, começou há apenas dois anos, acho que ninguém ficou adulto ainda, deve ser isso.
Tenham a santa paciência.
E tem mais.
23% das criancinhas pesquisadas podiam indicar pelo menos 9 das suas 12 marcas favoritas usando o que eles descrevem como 'gestos rudimentares das mãos'.
Ai meu Deus do céu, que dó.
Tô vendo os bebezinhos todos levantando os dedinhos.
Cobaias dessa gente louca, que devia ser presa.
E tem criatura já, claro, ganhando dinheiro com isso.
Quebra-cabeças pra crianças de 8 meses.
Educacional, claro, eles dizem.
Olha, assim espero.
Que esse quebra-cabeça seja bem educacional mesmo.
Porque se eu pego um infeliz fazendo meu filho de oito meses brincar com loguinhos publicitários, como as tripas dele.
À carbonara.
Ah, sim, continuam eles, vale lembrar que nenhuma outra geração, com certeza da história da humanidade novamente, está melhor 'posicionada', que Deus os proteja, para fazer a Web 3.0, 4.0 e até 5.0, por que parou, parou por que ?
Na Bélgica, já há a primeira rede social na internet para a Geração Z.
O Foops!
É, com mais de 12 mil membros, observação importante, nascidos e não nascidos ainda.
O Foops! ainda está em beta-teste.
Desse eu me recuso a participar.
Mas os papais já podem postar fotos do barrigão da mamãe, as ultrasonografias, e, puxa, não é incrível, ajudar seus bebezinhos a escrever seus perfizinhos, dizendo, olha que coisa, a marca das suas fraldinhas preferidas, a marca dos brinquedinhos e aparelhinhos.
Tem até baby twitters.
Tudo isto claro patrocinado por multinacionais, algumas até, tão interessadas nas criancinhas alheias, que já investiram 1,5 milhão de dólares para interagir com tanto bebezinho consumidor.
Olha, algumas coisas, vamos combinar, têm limites.
Minha conclusão é a seguinte.
Todos.
Prendam todos.

Um comentário:

mutantismos disse...

uuuuui.

que medo de tudo isso, principalmente daquela foto do macdonalds.

mas voltando aos anos 80... já no final dos 90 estavam cultuando! isso tá durando uns 15 anos.

bjo